A vida é como uma caminhada elíptica, abastecida pelos nossos desejos, impulsionada por cada escolha e dirigida por nossas próprias – nem sempre, claras – razões
06 de abril de 2011
A vida é como uma caminhada elíptica, abastecida pelos nossos desejos, impulsionada por cada escolha e dirigida por nossas próprias – nem sempre, claras – razões
06 de abril de 2011
O silêncio povoa a mente de quem não ouviu
Uma pergunta, um gesto, um fazer entender
Deveriam ser
Suficientes para dizer:
-Não! -Ok!
-Sim! -Obrigada. -Talvez…
Mas o silêncio
O silêncio rasga
Encharca, maltrata, mastiga
O simples desejo de uma resposta
Nem sempre entendida
O silêncio grita
Intencional, me agita
E vai do um para o outro
Se fazendo de morto
O silêncio não ouve
Mas não ouve, por que?
Aquilo que ninguém soube
Porque é teimoso pra ver
Sempre falará um tanto mais alto
Mais alto que todo barulho
De dentro e de fora
De sobre e de agora
E sobre o que eu bem quiser
Quiser entender
“Escuto o silêncio
Que nasceu de você
Do dito que eu disse
Preferiu se calar
Do viso que visse
Não fez por notar
Que pena, (você) não soube
Ouvir
Não soube (eu)
Entender
O que poderia, não mais poderia dizer”
23 de março de 2011
Sê atento para sê grande
Sê grande para sê simples
Sê simples para sê intenso
Sê intenso para sê profundo
Sê profundo pra viver querendo
18 de março de 2011
Menina, toma cuidado
Que a carne é danada
E o mundo te escuta
Menina, não desça do muro
Não brinque de apuros
Que a tez é tão fraca
O mundo rodando em moinhos
Também seu quartinho
De em quantos segredos
O tempo também soldadinho
De marcha errante
Que bom!
Te leva ao distante
Menina que brinca no escuro
O sol é seguro
Irradia desejos
Você que namora a lua
Entende do brilho
E do cheiro das ruas
Menina, esqueça o que digo
É conselho furado
Cuidado de amigo
Não há razão para o não se atirar
Se deixa, se vá!
Mergulhar.
Salte!
E se preciso, se rale
Esse é um risco
Que vida te dá
15 de março de 2011
A música ecoa
Ritma o compasso da emoção
Alcança a criança
Bagunça o pulso da evolução
Me acordes
Mil acordos pra canção
Me alucina
Me sacode
Me batera sem razão
A rima criança
Repete a palavra coração
Traz na lembrança
O dia em que virou refrão
Me acordes
Mil acordos pra canção
Me alucina
Me sacode
Me batera sem razão
O tum do batuque
Imprime a minha pulsação
O sangue é a dança
Som que circula de emoção
É no toque do tambor
Do atabaque, do agogô
Que a levada da menina música
Me recheia de ilusão
12 de março de 2011
reeditado em 08 de agosto de 2014
A chuva cai
Mansa
Serena em constante poesia
Interfere nos prazeres do tempo
Chama um-a-um para dentro de si
Transborda melancolia
12 de março de 2011
Conte-me histórias
Me invente outras memórias
Pro vazio não crescer
Sente-me na mesa
Desça outra cerveja
Comece a descrever
Me chame para fora
Revele-me segredos
Pra que eu possa te escrever
18 de fevereiro de 2011
Quantos “ais” serão precisos para o coração inquieto?
Quantos “ais” serão vividos?
Quantos doces planejados sorrisos,
Abafarão a corrosão dos mudos “ais”?
18 de fevereiro de 2011
Não sei ao certo se daqui algo levarei
Mas tenho uma vaga lembrança dos rastros que deixarei
23 de julho de 2010
Vamos, cozer nosso feijão
Preparar melhor o pão
Pra firmeza perdurar
Vamos, esquentar um pouco d ´água
Camomila e muita calma
Pro grito não berrar
Sim, eu falo mesmo é dessa vida
Que requenta nossos dias
Dorme dor, acorda sã
Venha, não se apóie nessa faca
Afiada tudo mata
Do desejo ao desdém
Canta, mais alegre de manhã
Pro seu sonho te lembrar
E o café não amargar
Lembra, que a noite é criança
Tenha fé, mais esperança
Pro outro renascer
Perfuma, com as ervas mais sagradas
O seu ar, a sua casa
Seu jantar será melhor
Sirva, de sabor a sua mesa
Não espera, põe certeza
Que essa vida valerá
Mais, que os dias já contados
Que os grãos desperdiçados
Sem ninguém pra oferecer
16 de junho de 2010
Meu estado é confuso
Só não confundo você
Não te troco por troco
Nem por mais do que é bem mais do que pouco
Somos, sim, mais que duas
Pele, osso, perfume, pescoço
Vales, várzeas, rios, montes
Estrada ponte, vira curva
Conheço bem as suas ruas
Tantos dias, muitas mesas
E mais camas, nossas meias
Tanto mim, tanto tu
Tanto tá, entre nós
Olho envolta, somos mais
Olho em casa, somos tais
Somos ser a se entender
Entre os entres dessas partes
Que se partem por ser mais
Mais que dois será demais?
É gostoso, é bonito
Colorido tudo em cima
Só não posso lhe dizer,
Olha lá, não sei cadê
Aquele frio que subia
Pra espinha amolecer
15 de junho de 2010
Fagulhas para o dia
Indecências, incertezas
Angústia, melancolia
Fagulhas para o dia
Loucura, devaneios
Livros, sabedoria
Fagulhas para o dia
Crenças, desistências
Força, euforia
Fagulhas para o dia
Desejos desenhados
Discos, nostalgia
Fagulhas para o dia
Amor ou só delírio
Cama, anatomia
Fagulhas para o dia
Quereres por demais
Medo, covardia
Fagulhas para o dia
Anseios, analgésicos
Cigarros, cafeteria
Fagulhas para o dia
Desande, desordem, des,
Incêndio, água fria
15 de dezembro de 2009
Os respingos de chuva no vidro da janela
Se interpõem
Entre mim e o que há de mim
No pensamento lá fora
E sim!
Há mais emoção quando percebo
Que mais chove em mim
Do que do lado de lá dela
08 de outubro de 2008
Encontrei um corpo santo e perfumado
De intenção úmida,
Sensação fluida,
Doce, fresca e sensível
Um prazer claro e embalado
Pelo desejo da minha tez mulher
No interior aconchegante
Das placentas paredes
Do íntimo útero dela
30 de novembro de 2004
Um casaco quente
Que se encaixa no frio
E se enrola na gente
Falar do azul
Pensar sobre o tempo
E esquecer que tem mente
09 de outubro de 2008
para Vê
Tava por aí curando dor de amor
Dessas que a gente acha que dura pra sempre
Caso que custa a passar
Pessoa quase ideal
Nada disso!
De tanto esperar por esperar amor ser maior
Encontrei um desvio
Num desejo quase promíscuo
Por aquela que conto pros cantos
Ser quase perfeita
28 de janeiro de 2003
Andar pela vida
Cruzei
Sentir pelos becos
Entrei
Entrar pelas portas
Voei
Sentar nas calçadas
Cansei
20 de abril de 2004
Mais um suspiro
Mais um pingo de suor
Indo, o moço,
Encanador de concreto,
Vai
Esmaecido nas vestes
Desvelar-se
Assobiando pipocas
09 de junho de 2007
Eu vou
Pássaros voam
Queria ver do alto
Dar rasantes de súbito
E com o próprio peito
Sentir a força do vento
Sem medo!
algum tempo entre 2008 e 2009
O que fazer com tanta reticência?
…
Prever, rever, preencher, lucubrar
…
Do gole do subentender
…
Amargar!
14 de dezembro de 2009
O tesão rompe suturas
Do amor incapaz
Indecente, rasga
Encharca, descende
Com um assopro ou um arrombo
Arranca-se demente
Senhor Fugaz!
11 de dezembro de 2009
O mais longe que vou
É o lugar mais forte
mais fonte
mais mundo
mais fundo
Daqui
12 de novembro de 2009
Almamente
Liberto meu corpo
Morro!
Por um segundo
Ressurjo!
Me torno
Corpomente
Repouso!
Só sigo
No vão
Desse intento
Querer
05 de maio de 2006
.
atualiza-me que te atualizo
siga-me que te sigo
posta-me que te posto
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Show me your FACE , open your BOOK
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encoraja esse mundo
que suplica por outros
e se cria nas frestas
abertas
12 de julho de 2009
Num canto soprano
Vindo de dentro
Da soma dos seios
Sinto em uníssono
A sensação do murmúrio
-“Ai!”
30 de novembro de 2004
Sentir é simples. Complexo é fazer sentido.
Girando, girando, girando elipticamente
Pequenos pixels de ilusão
Alguém aquém do além
Do alto da montanha contemplo a lembrança do que ainda não senti
Transformando brisa em cheiro
Corpo que falha em mente doidente de alma confusa
Acionando o pulso em prol
-piegas- …. sem vergonha do amor
Um cadin de pensamento, com um pinguim de ilusão
Força na andança que o caminho é temperança
Escrivin-ânsia
Se emocione uma vez ao dia: transforme seu pensamento mais confuso em poesia
Lubrificando ansiedades
Do ponto ao distante
Costurando entrelinhas
Tem tanto algo que suavemente se vai
O tempo cantou promessa de um novo horário
Cenas de vida submersa em formas reais
Enquanto corro para o lado de lá da casa do oeste
Grifos de medo me impelem
Intercurso
Simulação do ideal
Tentativa de alcance
Em âmbito de guerra
20 de outubro de 2001
Mr. Óbvio era um senhor já de idade e vivia há muitos anos com sua velha companheira, Dona Dúvida. À mesa do jantar eles se postaram para um guisado com alguns dos seus grandes amigos. Em meio a piadas e causos da vida, riram muito e papearam madrugada a fora. Um pouco tímido e num lampejo reticente, Seu Destino vagueou o passado:
– Vocês se lembram daquela moça inteligente e bonita que colocou as cartas na mesa para ler um pouco do agora? Pois então, naquele dia, ela disse coisas que só hoje me fazem entender as decisões que a Srta. Vida tomou.
E, virando-se para o lado, Sr. Destino encarou o jovem que ouvia tudo pacientemente.
– E você Tempo? O que achou das palavras da cigana?
O Segundo passou e o moço frisou:
– Ela estava certa. A Lógica tinha razão!
14 de dezembro de 2004
Encontrar a lógica das coisas
É aplicar na nossa própria razão
O desejo de se ver livre da dúvida
06 de dezembro de 2004
Queria encontrar o máximo nos mínimos detalhes
Extrair o intervalo do tempo
Alcançar o topo da vontade
E, no ápice-instante do possível,
Morrer!
21 de outubro de 2006
Palavra é encanto
Som que precede
A luz do instante
Palavra é fortuna
Baú do fonema
Que tilinta aos ouvidos
Palavra é ruído
Entender que duvida
Do seu próprio sentido
idos de 2003
reeditado em 13 de outubro de 2005
A falta de impulso me corrompe
A espera do tempo me aflige
E meu rumo se altera
Num desentendido destino
Tempestivas respostas dos caminhos possíveis
Me acuam no beco dos réus
Cuja sentença se veste de declarada surpresa
Pelo julgo espontâneo do Acaso Juiz
28 de janeiro de 2005